Uma matéria sobre Artesãos

Um tempo atrás, vi em Pequenas empresas, grandes negócios, uma reportagem sobre pessoas que se tornaram empreendedores com seus artesanatos. Pude ver também, não muito tempo atrás, no programa Mais você, a história de uma manicure que se tornou empresária. Mas porque estou falando dela?
Bom.. a manicure em questão, mostrou-se muito habilidosa com seus desenhos nas unhas das mulheres.
E toda forma de fazer arte é válida. O artesanato brasileiro está mostrando a importância disso principalmente nos outros países e pude observar que quem não mexia com a área, está começando a se interessar. O mercado é grande, o artesanato pode atingir várias áreas, mas a principal questão é:
Nunca desvalorize seu trabalho de artesão. Dê valor ao seu trabalho, pois brasileiro gosta mesmo é de pechinchar.

E pensando nisso, alguns locais estão mostrando que o artesão tem mesmo que se especializar e se tornar empresário de sua arte.

Segue abaixo uma reportagem que achei interessante e que está disponível na página do Correio Braziliense...

Mãos à obra
Manoela Alcântara - Correio Braziliense

Com demandas cada vez maiores, artesãos investem na formação para aperfeiçoar as técnicas e aumentar as vendas. A profissionalização varia desde o investimento em cooperativas à criação de empreendimentos individuais
Rafael Ohana CBD.APress


Na contracorrente do desenvolvimento tecnológico e do industrial, o artesanato, suas formas e seus significados ganham, a cada dia, mais valor. O trabalho manual brasileiro já é reconhecido mundo afora. Bonecas de cerâmica, brincos de materiais oriundos da terra, bolsas, calçados e objetos de decoração, entre outros, são amplamente exportados. Os clientes são pessoas que desejam consumir algo diferenciado e, ao mesmo tempo, sustentável. Tanta demanda tem impulsionado os artesãos a se capacitarem, a expandirem seus negócios e a saírem da informalidade. Antes marginalizados, eles agora inovam a partir do espírito empreendedor e agregam valor às suas peças. São os “alternativos” tomando conta de seus próprios negócios.

As possibilidades de melhorar as vendas e de ter uma renda que compense são as mais diversas. Elas vão desde o artesão que deseja ser empreendedor individual até o que aspira fazer parte de uma cooperativa ou até abrir uma empresa (veja quadro). “Por anos, eles foram tratados como nômades e acabavam tendo uma visão muito individual das vendas. Mas, hoje, o artesanato é percebido como negócio e, para se fortalecer no mercado, é necessário buscar a cooperação”, ressalta a coordenadora nacional do segmento dentro do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e às Pequenas Empresas (Sebrae), Durcelice Mascêne.

João Gomes da Silva, 41 anos, optou pelo lado empresarial para difundir seu trabalho. Artesão desde os 12 anos, ele viu no cerrado uma fonte de prosperidade. Em parceria com a esposa, os filhos e cunhados, ele produz peças de decoração e adorno feminino, além de trabalhos originais que lembram animais. Todas as obras são feitas de capim colonião, capim-dourado, cabaças, fibra de buriti, madeira e outros materiais retirados da natureza.

O sucesso de agora foi conquistado com muito suor, e hoje ele consegue uma renda mensal que chega a R$ 8 mil. “O artesanato sempre esteve no meu sangue. Em 1995, fiquei desempregado e decidi me dedicar somente a ele. Foram maus momentos no início. Houve uma época que eu tirava apenas R$ 200 para sobreviver. Mas, hoje, o meu sustento vem todo das peças que produzo”, conta. Para comprar a matéria-prima, João e a família tiveram que sair da casa onde moravam e procurar um apartamento mais barato, no Novo Gama (GO). Sem dinheiro, ele foi experimentando novos fornecedores para conseguir baratear o preço dos produtos e vender mais.

Depois de 10 anos, João já levou seus trabalhos para São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e praticamente todo o Nordeste e o Centro-Oeste. Além disso, por causa de suas habilidades e dos diplomas que tem — de cursos do Sebrae, da Universidade de Brasília e de oficinas específicas —, virou consultor. Em 2009, com perspectivas de crescer ainda mais, formalizou sua empresa. “Foi por meio do Sebrae que recebi orientação e participei de diversas feiras e desfiles. Fiz contatos valiosos e encontrei admiradores do artesanato clássico. Hoje, percorro diversas regiões e preciso ter uma nota fiscal, uma referência para as vendas”, constata.

Identidade cultural

Apoios como esse e a participação em exposições são fundamentais para a consolidação no mercado. O Sebrae, por exemplo, oferece consultorias sobre o assunto e abre portas para quem deseja ampliar as vendas e transformar o artesanato em única fonte de renda. “Disponibilizamos um designer específico que mostra para os artesãos quais as tendências e um outro profissional que faz pesquisa de mercado para definir preços, além de organizarmos feiras e exposições para a venda dos produtos”, diz a gerente de Empreendedorismo Social do Sebrae-DF, Antonieta Contini.

Outro aspecto importante para o sucesso dos artesãos é o da identidade cultural como um diferencial competitivo. Não raramente, o artesanato vira tradição em algumas regiões e é ainda mais valorizado por representar uma determinada tradição popular. Por isso, é essencial que os produtos não percam sua originalidade. O grande segredo do trabalho manual é ser único. Portanto, inovar sempre também faz parte da estratégia para manter os clientes.

É o que faz João Gomes. “Não há uma matéria-prima do cerrado que eu não saiba manejar. Inovo nas cores, nas formas, nos produtos em geral”, descreve. Com uma gama diferenciada, ele consegue, por exemplo, expor em grandes eventos de decoração, que têm, cada vez mais, dedicado espaço às peças artesanais “Já cheguei a vender em uma única mostra mais de 500 peças. Este ano, a expectativa é ainda maior”, conta.

Retorno financeiro

O último senso realizado pelo IBGE, em 2000, identificava 8,5 milhões de artesãos em todo o país. De acordo com pesquisa de informações básicas municipais (Munic 2006), 64,3% dos municípios brasileiros têm algum tipo de produção artesanal. Além disso, os artesãos participam ativamente do crescimento econômico do país. Uma pesquisa completa está sendo feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social, por meio do Programa de Artesanato Brasileiro, para definir precisamente o papel desses trabalhadores no desenvolvimento do Brasil. O levantamento deve ficar pronto no próximo ano.

Muitos caminhos

Confira as opções para facilitar a comercialização dos produtos confeccionados pelos artesãos:

Cooperativa

Para se criar uma cooperativa no Brasil são necessárias, no mínimo, 20 pessoas físicas, conforme a Lei nº 5.764/71. Elas precisam ter interesse econômico comum, estar dispostas a constituir um empreendimento próprio, onde cada pessoa tenha apenas um voto e o resultado seja distribuído proporcionalmente à participação de cada cooperante. As cooperativas têm finalidade essencialmente econômica. Seu principal objetivo é o de viabilizar o negócio produtivo de seus associados no mercado.

Associação

São organizações que têm por finalidade a promoção das assistências social, educacional e cultural, a representação política e a defesa de interesses de classe e filantrópicas. Uma associação viabiliza maior participação e estreita os laços entre a sociedade organizada e o poder público. A fundação dela deve ser incentivada pelo governo, que pode fornecer assistência técnica, administrativa e tecnológica. Os associados produzem e dividem o lucro.

Empreendedorismo individual

É quando alguém que trabalha por conta própria se legaliza como pequeno empresário. Para ser um empreendedor individual, é necessário faturar no máximo até R$ 36 mil por ano, não ter participação em outra empresa como sócio ou titular e ter um empregado contratado que receba o salário mínimo ou o piso da categoria.

Internet

A internet é a grande revolução no mundo das vendas. É possível utilizar as redes sociais, os blogs e os sites de relacionamento para divulgar as fotos e a procedência dos produtos a serem comercializados.

Feiras e exposições

Entidades de apoio, como o Sebrae, as associações de artesãos e a Secretaria de Trabalho, entre outros, promovem frequentemente feiras pela cidade. É possível se cadastrar para receber as informações sobre elas e se inscrever para participar. Por meio delas, os produtos se tornam conhecidos e aumentam as possibilidades de encomendas.

Saber aprimorado

Recorrer a cursos e oficinas pode render aos artistas o conhecimento de novas técnicas e a expansão dos negócios. Além disso, as instituições oferecem dicas de como organizar a comercialização

Ter talento é pré-requisito para aqueles que querem viver do artesanato. Mas engana-se quem pensa que, para se colocar bem no mercado, isso basta. As salas de aula podem ser um caminho interessante para as pessoas que procuram desenvolver suas habilidades e aprender a gerir o próprio negócio. As capacitações podem revelar qualidades que o artesão desconhecia até então.

Denise Perciano, 42 anos, viveu essa experiência. Apesar de sempre gostar de desenhar e pintar, ela só aprendeu as técnicas para fazer panos de prato, bordados, velas decorativas e biscuit nos cursos de Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). “Eles oferecem oficinas nas unidades móveis, que passam nas cidades, e nas fixas. Aproveito as duas oportunidades de capacitação. Há 10 anos, quase ninguém trabalhava com velas e eu já fazia o curso da instituição para vender esse tipo artesanato”, conta ela, satisfeita.

A iniciativa tem como propósito estimular a geração de trabalho e renda no Distrito Federal. A ideia é levar às pessoas o conhecimento sobre as técnicas mais modernas e com maior chance de comercialização. Segundo o subgerente de Ações Móveis do Senac, Robério Rodrigues, para que as unidades cheguem às regiões administrativas da capital federal é necessário que haja uma solicitação do comércio local, de associações, igrejas ou alguma entidade representativa.

Os cursos — que podem ser apoiados por outras instituições, privadas ou públicas — são os mais diversos e devem também ser desenvolvidos de acordo com as necessidades de cada região. “Temos quatro carretas móveis que transitam de terça-feira a domingo. Geralmente, atendemos 45 pessoas por ação local”, diz Rodrigues. Só em 2009, foram 29.635 atendimentos feitos itinerantemente, sem contar os das oficinas realizadas nas unidades fixas.

Além do Senac, instituições como a Universidade de Brasília, a Secretaria de Trabalho do DF e as associações de artesãos também oferecem cursos para quem deseja aprender novas técnicas de trabalhos manuais. Mais que conhecimento, o contato com elas pode render convites para atividades como consultorias e palestras. “Buscar qualificações é muito importante para quem quer trabalhar com artesanato. Além das noções de negócios, preços e mercado, os profissionais podem ter um certificado dizendo que aprenderam aquilo e até conseguir empregos formais em lojas”, ressalta a técnica extensionista de produção da UnB, Maíra Fontenele Santana.

Pelos quatro cantos

Um outro recurso para incrementar os negócios do artesão é a internet. A soma da técnica com o alcance digital pode levar o trabalho para os quatro cantos do mundo. Porém, mais uma vez, é necessário ter capacitação para oferecer um produto de qualidade. Para expor produtos em sites ou blogs e oferecê-los para venda, é preciso ter uma organização voltada para esse mercado.

O meio eletrônico é muito rápido e quem se expõe a ele deve ter capacidade de disponibilizar transporte adequado para as entregas, sistemas de embalagens, notas fiscais e toda a logística para que as vendas deem certo. Em localidades distantes, é preciso considerar fatores como a chuva e os meios de locomoção. A capacidade de produção também deve ser grande para que o tempo de chegada do produto não ultrapasse o esperado pelo cliente. Além disso, é preciso transparência dentro do site. Mostrar de onde vem a matéria-prima dos produtos, se é sustentável e se tem certificado ambiental também é essencial para quem deseja usufruir dos benefícios que esse meio proporciona.

Saiba mais
Carteirinha de artesão

A Secretaria de Trabalho do DF concede aos especialistas em trabalhos manuais a Carteira do Artesão. Com esse documento, eles podem se cadastrar para expor em qualquer lugar do país, têm o reconhecimento como profissionais autônomos e maior viabilidade para a contribuição com a Previdência Social, além de emitir notas fiscais com a isenção do ICMS.A aquisição da Carteira pode ser feita todas as terças-feiras, na Casa do Artesão (Edifício Darcy Ribeiro, no Setor Comercial Sul, ou no Conic, atrás do Teatro Dulcina). Os interessados devem levar duas fotos 3x4, carteira de identidade, comprovante de residência e CPF. Haverá uma avaliação no local para certificar as habilidades do artesão. Por isso, é necessário levar também uma peça pronta de artesanato e a matéria-prima para demonstrar a técnica desenvolvida.


P.S.: Se empolgou, Lycosa? ;)

2 comments:

  HAM

22:04

Olá, Tyr, Qiaus as novas? Bom vê-la lá no BLog do HAM. Tenho estado meio sem tempo para postar, outras vezes o PC me deixa na mão...rs. No entanto, vez ou outra eu entro e dou uma olhada nos emails, sabe como é né? Olha, legal essa sua novidade. Quando você tiver tudo definido, tudo certinho para vir a Salvador, me avisa sim, OK? Abraço!

  Lady Lycosa

01:28

Nossa muito legal essa reportagem hein!!!!
hehehehe...sempre empolgada!!!!
PS: vi The Last Airbender...ahhh fiquei tristinha, podia ter sido tão melhor :(